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Violência contra a mulher na internet: entenda, identifique e saiba como se proteger

18 de mar.
3 min de leitura

A tela do celular não pode ser um escudo para agressores. A violência de gênero online não é um problema “virtual” ou isolado — ela é uma extensão da violência estrutural que muitas mulheres já enfrentam fora das redes, agora potencializada pelo alcance e pela velocidade da internet.


No Brasil, essa realidade já atinge milhões de mulheres. Segundo a pesquisa Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Datafolha, cerca de 1 em cada 10 mulheres brasileiras sofreu violência digital nos últimos 12 meses (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA; DATAFOLHA, 2023).


A violência não começa (nem termina) na internet



A violência digital está diretamente conectada a um cenário mais amplo de desigualdade e agressões contra mulheres. A mesma pesquisa aponta que 37,5% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência no último ano, o que representa milhões de vítimas em todo o país (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA; DATAFOLHA, 2023).



Ou seja: o ambiente online não é um espaço separado — ele amplia e reproduz violências já existentes na sociedade.




O que é violência de gênero online?



A violência de gênero online é qualquer ato de violência contra a mulher cometido, facilitado ou agravado pelo uso de tecnologias, como redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais.

A Organização das Nações Unidas (ONU Mulheres) reconhece essa prática como um problema global crescente, destacando que ela funciona como uma extensão do machismo estrutural no ambiente digital (ONU MULHERES; SAFERNET BRASIL).



Entre as formas mais comuns estão:

  • Cyberbullying e ataques ofensivos

  • Discurso de ódio e misoginia

  • Perseguição online (stalking)

  • Assédio sexual virtual

  • Ameaças e intimidação

  • Compartilhamento não consensual de imagens íntimas




Dados que revelam a gravidade do problema



A violência digital não é pontual — ela é crescente e alarmante.

De acordo com o levantamento Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA; DATAFOLHA, 2023), 8,5 milhões de brasileiras sofreram perseguição (stalking) no último ano, evidenciando o quanto esse tipo de violência tem se intensificado também no ambiente online.

O mesmo estudo aponta que cerca de 1,5 milhão de mulheres tiveram imagens íntimas divulgadas sem consentimento, uma das formas mais graves de violência digital, que gera impactos profundos na vida das vítimas.

Além disso, 47,4% das mulheres que sofreram violência não buscaram ajuda, o que revela o medo, a desinformação e as dificuldades de acesso à rede de proteção (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA; DATAFOLHA, 2023).

Já no ambiente digital, dados da SaferNet Brasil indicam um crescimento expressivo: houve um aumento de 224,9% nas denúncias de crimes de ódio contra mulheres na internet em um ano, demonstrando que a violência online está se expandindo de forma acelerada (SAFERNET BRASIL, 2023).

Esses dados mostram não apenas a dimensão do problema, mas também o silêncio e os desafios enfrentados pelas mulheres para romper o ciclo da violência.


O impacto é real


Apesar de acontecer no ambiente digital, as consequências são concretas e profundas. A violência online pode causar danos psicológicos severos, medo constante, isolamento social e prejuízos na vida pessoal e profissional.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 90% das mulheres que sofreram violência relataram que a agressão ocorreu na presença de terceiros, o que intensifica o sofrimento e a exposição da vítima (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA; DATAFOLHA, 2023).

Em muitos casos, a violência digital pode evoluir para agressões físicas, reforçando a necessidade de atenção e intervenção precoce.


A violência online é crime


Práticas como perseguição (stalking) e o compartilhamento não consensual de imagens íntimas são crimes no Brasil e podem resultar em pena de prisão.

Isso reforça que a violência digital deve ser tratada com a mesma seriedade que qualquer outra forma de violência.


O que fazer em caso de violência online?


Se você está passando por uma situação de violência digital, é importante lembrar: a culpa nunca é sua.


Algumas medidas são fundamentais:


  • Não apague as provas

  • Faça capturas de tela (prints)

  • Guarde links (URLs) e registros

  • Bloqueie o agressor

  • Registre um Boletim de Ocorrência (online ou presencial)


Buscar apoio é essencial — você não precisa enfrentar isso sozinha.



Onde buscar ajuda


Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência:


  • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher

  • Ligue 190 – em casos de risco imediato


O Canal SOS Fala Mulher também está disponível 24 horas por dia, oferecendo acolhimento, orientação e encaminhamento para a rede de apoio com assistente social, psicológas e advogada.




Informação que protege e salva vidas


A violência de gênero online é uma realidade crescente, e combatê-la começa pela informação.


Falar sobre o tema é romper o silêncio, fortalecer mulheres e responsabilizar agressores. Compartilhar esse conteúdo pode ajudar outras mulheres a reconhecerem sinais de violência e buscarem apoio.

Você não está sozinha.



 
 
 

3 comentários


Carlson Roy
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